Caprichos da História

03/05/2016 11:05

É a História e seus caprichos. A antiga guerrilheira repete o gesto do último presidente militar. Como João Figueiredo, que saiu do Palácio do Planalto pela porta dos fundos, para não transmitir o cargo a Sarney, Dilma diz que fará o mesmo com Temer. Vetou a transição administrativa e deixará o governo ainda mais exaurido, com as finanças em frangalhos. Não dará informações mínimas sobre a administração e nem os arquivos estratégicos serão repassados ao novo governo, porquanto apagados por ordem direta da presidente.

Nenhuma surpresa. É a Dilma, ranheta e raivosa, despida de espírito público. Ao sair, não terá sequer a dignidade de olhar a Nação, seus aliados e adversários. Ela ultrapassa qualquer limite tolerável de ausência de sensatez. Ao transformar atos da administração, na inauguração de obras públicas, em palanques da resistência contra o impeachment, estimula a subversão da ordem social. Tem usado o salão nobre do Palácio do Planalto como palco de apoio a seu governo. E agora, com os ditos movimentos sociais, começa a incendiar o país, com a obstruç ão de importantes rodovias. Os lulopetistas asseguram que não darão trégua ao governo Temer, sem considerar as graves consequências do agravamento da crise econômica no país.

É o que dizem com o dístico “não vai ter golpe, vai ter luta”. É o que sustenta Lula da Silva, quando ameaça o Brasil com o “exército do Stédile”, um marginal, predador da ordem jurídica, invasor de fazendas produtivas e de propriedades privadas. Qual a luta que pode conter o que chamam de golpe? A guerrilha urbana e rural, com a participação da CUT, MST, MTST, Via Campesina, UNE, UBES e outras organizações penduradas nos cofres do erário? Ou a luta a ser travada nos limites da Constituição, no ambiente democrático do Senado Federal?

O certo é que o lulopetismo e a esquerda de gaveta de taberna nunca tiveram o menor respeito pelo regime democrático, embora badalem com essa historieta de defesa da democracia, em que nem o mais estulto dos idiotas acredita. No passado, durante o regime militar, jamais alimentaram a mínima vocação democrática. Dilma e seus pares na luta armada nunca atuaram com o propósito de reintroduzir a democracia no Brasil, como reconhece Fernando Gabeira, com honestidade intelectual e histórica. O que  queriam era substituir o governo militar pela ditadura do proletariado, como ainda pretende o PC do B, com sua ideologia estreita e falida, ao lado de outras linhas políticas radicais.

A luta a favor ou contra o impeachment da presidente há de ser travada, como vem sendo, no Congresso Nacional, fórum civilizado e indicado pelo ordenamento constitucional. Vencerá quem conseguir drapejar com sucesso a bandeira da verdade, como tem feito a advogada Janaína Paschoal, mulher brilhante e corajosa. Tem arrostado o ódio do lulopetismo, exposta a todo tipo de violência, como ocorreu em recente sessão da Comissão de Impeachment. Cuido das agressões sofridas pela advogada, disparadas pelo senador Telmário Mota, parlamentar raso e despreparado, incapaz de formular com correção uma singela concordânc ia nominal.

Na batalha do impeachment, duas mulheres e dois exemplos opostos. De um lado, a advogada do impeachment, sob os aplausos da Nação; de outro, a presidente incompetente e inapta no trato da coisa pública. Uma, consagra-se. Outra, sai do poder esgueirando-se pela sombra, destilando ódio e desejo de vingança.

paulofigueiredo@uol.com.br


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