Enéas e a farsa lulesca

16/04/2016 12:00

Quem não se lembra do bordão: “Meu nome é Enéas”? O presidente do  Partido da Reedificação da Ordem Nacional (Prona), em sua primeira candidatura à presidência da república, tinha 17 segundos de tempo de TV para expor suas ideias e propostas. Ele foi considerado na época uma figura exótica. Tinha, sem dúvida, uma formação profissional como médico de primeira linha. Foi professor de matemática, português, física e química em seu curso preparatório para vestibulares. Nacionalista extremado, propunha um Estado forte e intervencionista para colocar a casa em ordem. Atirava em várias direções. Denunciava com vigor as mazelas da política nacional, o viés lascivo das novelas, e, a despeito de defender a liberdade de imprensa, acusava jornalistas de distorcerem os fatos. Em sua visão, o regime militar cometeu dois grandes erros: investiu pouco na educação, em especial na formação do cidadão, e asfixiou a imprensa, cuja liberdade é fundamental para bem informar a população num país de dimensões continentais como o Brasil.

Essa minha súbita lembrança dele resultou de um vídeo que um amigo me enviou em que o Enéas fazia uma crítica virulenta ao Lula. Na época, soava muito exagerado, pois, afinal, Lula ainda era visto como um líder sindical diferente, que não se enquadrava no triste modelito dos pelegos. O sindicalismo velho de guerra de Getúlio Vargas, que inventou o prodígio do sindicato sem sindicalizados. O aparente milagre provinha das contribuições compulsórias dos trabalhadores recolhidas pelo governo e repassadas aos diretores dos sindicatos desde que seguissem à risca os ditames do governo. O que faziam com essas polpudas verbas, ainda hoje, ninguém sabe muito bem. Já pensou, caro leitor, quando o Ministério Público e  a Polícia federal tomarem a iniciativa de passar um pente fino nos recursos recebidos por CUT,MST e assemelhados? Pode preparar os cabelos, pois vão ficar em posição de sentido.

Enéas, no vídeo que se espalhou como vírus na internet, afirmava que não reconhecia em Lula um mínimo de preparo para dirigir o País. Ia mais fundo: nunca tinha tido a oportunidade de ouvir dele alguma proposta bem articulada de governo. O tempo, mestre da vida, acabou por lhe dar razão.

 Como se pode constatar hoje, Lula chegou aonde nunca deveria ter chega-do. Bom lembrar que acabou adotando a política econômica de FHC enquanto teve lucidez para tanto. Beneficiou-se de um período da economia internacional que lhe foi extremamente favorável, pensando que era obra sua, como disse Delfim Netto, em 2006, numa palestra em SP. Em 2008, com a crise interna-cional, começou o desvio de rota com uma  política contracíclica keynesiana, que teve seus benefícios de curto prazo, mas que não podia ser permanente, como acabou sendo. A proposta, óbvia e necessária, de encolher o setor público do ministro Palocci foi rotulada de rudimentar por Dilma, então Ministra-Chefe da Casa Civil, termo bem mais apropriado para definir seu intelecto.

 George Orwell, escritor inglês, afirmou que “aquele que tem o controle do passado, tem o do futuro”. A formação intelectual deficiente de Lula pode ser facilmente constatada pelo número de vezes que repetiu aquele introito do “nunca na história desse país” e lá vinha, frequentemente, alguma asneira de quem nunca estudou com afinco a História (em maiúscula) de sua própria terra. Pensou que o Brasil começou com ele, em 2003, quando tomou posse como presidente pela primeira vez. Desconhecendo o passado, perdeu o futuro.

 A despeito de sua habilidade de negociador, faltou-lhe conhecimento para dar a volta por cima quando os tempos mudaram. A unção de Dilma para sucedê-lo deixou claro a peça que pregou em si mesmo: ela não lhe passou o bastão na eleição 2014. As 23 tresloucadas propostas do PT, o caminho  mais curto nos tornarmos uma Venezuela, foram apoiadas por Lula, uma prova cabal de seu despreparo. A farsa foi desmascarada e a conta (pesadíssima) foi mandada para todos nós.    

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