Escolas ocupadas por estudantes terão recesso a partir de 2 de maio

20/04/2016 10:00

A ocupação do Colégio Dom Pedro II continua e, na manhã de ontem, uma assembleia foi realizada no local onde ficou definido por 70% dos estudantes que não há previsão de desocupação. A pauta, que foi assinada por 103 estudantes até a manhã de ontem, é própria e eles apoiam as reivindicações dos professores. Por conta da ocupação, o Governo do Estado antecipará as férias dessas escolas em específico para o dia 2 de maio. O Governador do Estado já ouviu alguns sindicatos e os casos específicos de cada unidade escolar serão analisados após a desocupação.

De acordo com a Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro (Seduc), o movimento foi identificado em 57 unidades da rede e as escolas invadidas entrarão em recesso a partir do dia 2 de maio. Elas funcionarão no período de férias, no mês de agosto. Nas outras unidades, o recesso ocorrerá no período de 1º a 27 de agosto, conforme o calendário escolar. 

A APE (Associação Petropolitana dos Estudantes) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) participam do ato e assim como os alunos são responsáveis pela unidade que não tem nenhum profissional do estado a serviço. De acordo com a APE, os estudantes estão dormindo em salas separadas por dormitórios femininos e masculinos. A imprensa ainda está impedida de entrar na unidade e não houve registros de vandalismo até a tarde de ontem. 

Na manhã de ontem, a professora da disciplina de Sociologia, Renata Teixeira Siqueira, estava na porta da escola. Ela confirmou o apoio ao manifesto e disse que em breve os alunos convocarão os pais e os professores para esclarecimentos. “Estamos vendo o que eles precisam e damos todo apoio ao movimento, que é uma forma de expressarem a sua insatisfação”, fala. 

Alguns estudantes saíram da assembleia apresentando o descontentamento com a total paralisação das aulas. Antes da ocupação os professores que não aderiram à greve deram sequência no conteúdo em sala de aula. A estudante que saiu indignada da reunião disse que esse não é o momento para a ocupação e destacou que o Estado não “olhará para os estudantes devido a outros problemas maiores como o impeachment”. 

A presidente da Associação Petropolitana dos estudantes (APE), Caroline Chiavazzoli, opinou sobre a atitude dos 30% dos alunos que votaram contra. “Estão achando que a ocupação vai atrapalhar, mas o que realmente atrapalha é a educação sucateada, a coleira eletrônica e os projetos que o governo vem fazendo. Só estamos mostrando aos políticos a aula de cidadania a favor dos nossos direitos”, conta.

Segundo Caroline, a primeira noite de ocupação foi tranquila e para se manterem na unidade os estudantes dividiram as funções em grupos e a alimentação está sendo feita por meio de doações e também o que resta da dispensa. O jantar de segunda feira foi risoto com salsicha. A higiene pessoal também é feita na escola. “Todas as atividades serão postadas na página da rede social da escola. Hoje o dia começou com limpeza nos banheiros e à tarde vamos tirar os lixos e entulhos. Não estamos vandalizando nada. Estamos preservando o nosso patrimônio”, garante.

A Secretaria de Estado de Educação informou que o secretário de Estado de Educação, Antonio Vieira Neto, já recebeu alunos representantes de colégios ocupados e do Sindicato, com o objetivo de ouvir as reivindicações. Entre os assuntos tratados com os estudantes ficou estabelecido que, após a suspensão do movimento e liberação dos espaços, serão tomadas medidas visando a maior participação estudantil nas decisões escolares. A Seeduc se comprometeu a conversar com a direção das duas unidades escolares para que organizem o grêmio estudantil e fortaleçam os conselhos escolares. 

Sobre as reivindicações quanto à infraestrutura, o governo disse que será encaminhada uma equipe para as correções que se fizerem necessárias. Já quanto a chamada dos concursados, a Secretaria informou que, desde 2007, foram chamados 71 mil novos docentes, sendo 2.500 em 2015 e 465 neste ano. 

Últimas