Fugindo da crise: Como montar um curriculum vitae

28/08/2016 07:00

O Instituto Brasileiro de Economia (IBGE) divulgou neste mês de agosto que neste 2° trimestre de 2016 o desemprego aumentou em todas as grandes regiões do país, chegando a 11,3%. Em Petrópolis, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, indicam que a cidade fechou o primeiro semestre de 2016 com número de demissões maior do que o de admissões. Para fugir da crise e conquistar uma vaga no mercado de trabalho, uma das dicas é preparar de forma coerente o curriculum vitae e se preparar para as entrevistas.

O especialista e consultor empresarial Mairom Duarte afirma que o essencial é entender que o curriculum não deve ser escrito da mesma forma como se fala. “O mais importante é levar em consideração, e não esquecer, que outra pessoa irá ler o que o profissional escreveu e tem que entender claramente a experiência dele. Ou seja, não deve ser escrito como se fala”, afirma Mairom.

Ainda segundo Mairom, o Curriculum deve ser o mais “clean” possível e seguir uma lógica para a leitura: dados pessoais para contato e breve histórico profissional devem estar descritos no início. “Nesse caso tem que existir um texto mostrando o que o profissional já fez e onde. Nesse breve relato deve estar bem clara a experiência adquirida”, conta.

Em seguida, o candidato deve colocar os dados sobre a carreira profissional, relacionando os locais que já trabalhou, sempre do mais novo ao mais antigo. Quem estiver analisando o currículo quer sempre ver primeiro às experiências mais recentes. Abaixo tem que ter a formação do profissional, curso, entidade e datas de início e fim. “Dependendo da experiência do profissional não é necessário colocar dados das escolas que cursou os cursos fundamental e médio, mas é importante colocar os treinamentos extracurriculares, a proficiência em línguas, deixando claro o nível da fala, escrita e leitura, os dados pessoais completos e as referências profissionais de pessoas com as quais trabalhou”, explica Mairom.

Com relação à crise financeira enfrentada pelo país, Mairom alerta que os que buscam por uma oportunidade no mercado de trabalho devem procurar serem sempre indicados por pessoas conhecidas para participar de processos de recrutamento em empresas que elas conhecem. “Vale também ficar atento nas publicações no jornal, pesquisar sites de colocação e cadastrar o currículo, estudar, fazer cursos, conversar com amigos e conhecidos informando que está sem colocação. Não fique envergonhado de estar momentaneamente parado. Atualmente, especialização é muito importante. Não é garantia de colocação, mas diferenciará o profissional e colocá-lo em outro patamar. Outro ponto essencial atualmente é falar inglês. No currículo deve ter interesse por área de atuação. Mas essa área de atuação deve ser compatível com a experiência relatada no currículo. Em pretensão salarial, sempre que colocar, descreva uma faixa. Tome cuidado para não se depreciar ou se valorizar. Em caso de dúvida, coloque a última remuneração”, alerta Mairom.

Erros na escrita são inadmissíveis

Mairom alerta ainda para um problema muito comum: os erros de português. “Muito cuidado com erros de português. Já recebi um currículo onde experiência profissional estava escrito 'profiCional', com 'C'. Cuidado ao colocar o seu email, evitando e-mails pessoais do tipo gostozinhadopapai@hotmail.com. Esses dois itens acima fazem com que o leitor do curriculum pare imediatamente de lê-lo, independente da qualidade do currículuo. Hoje em dia, os recrutadores recebem muitos deles. E esses são alguns critérios rápidos de eliminar candidatos, os erros de português e falta de noção".

Outro ponto importante é não contar mentiras. “Não se autovangloriar ou contar mentiras. Não adianta dizer que fala inglês se uma única pergunta ao vivo fará a mentira aparecer. Tomar muito cuidado com experiência em informática. Não é porque foi usuário de um sistema que o profissional entende de informática; não é porque fez um curso de Excel que tem experiência nesse aplicativo. Procurar não usar esses formulários de currículos que encontramos para vender. Podemos até utilizá-los como guia, mas o ideal é utilizar um feito pelo próprio profissional e, de preferência, em editor de texto, para que possa enviá-lo por e-mail”, pontua Mairom.

O currículo deve ter no máximo três páginas e não precisa, necessariamente, ter foto. “Se a empresa é séria, foto no currículo não importa. Após escrever o currículo, pedir para alguém com mais experiência para lê-lo e verificar se está escrito de forma clara. Uma outra dica é acessar a internet e pesquisar currículos disponíveis para verificar a forma que são escritos”, explicou Mairom.

Mairom Duarte é petropolitano. Atualmente é diretor da Costa Salgueiro. É Engenheiro Eletricista pela UFRJ (1983). Possui experiência em Consultoria Empresarial, tendo trabalhado por 14 anos na Accenture Consulting e três anos na Ernst & Young Consulting. É especialista em gestão de negócios, participando e coordenando projetos de reestruturação empresarial e implantação de sistemas de gestão integrada em empresas de grande porte. 

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