Gostam de tiro no pé

21/07/2018 13:30

Que a sensibilidade de um político sempre foi um fator menor em sua percepção da realidade, isto é facilmente constatável. Após uma eleição vencedora a soberba que era latente, aflora e vem à tona, com força total. Este novo ser permite que apareça um figura cega, fria e distante para com os que o elegeram e que, a ele, foi dado o papel de representar. Seu orgulho pessoal torna-o mais importante. 

A falta de sensibilidade obtida pela própria falta de compreensão de suas obrigações, sim e até porque, na esmagadora maioria dos casos ele não está minimamente preparado para o cargo, leva-o a provocar situações frontalmente contrárias aos anseios da sociedade. 

Não há humildade na política nem nos políticos, tampouco "mea culpa", quando de atitudes estapafúrdias. Equilíbrio de ações e bom senso raramente são vistos. Aparece sim, um profundo desrespeito aos cidadãos na medida da prevalência de suas vontades pessoais.

Esta semana nossos vereadores votaram e aprovaram para si, um aumento de sua remuneração bem como, também, um aumento ao quadro funcional da Câmara, num momento em que os funcionários do Executivo não perceberam nenhum reajuste nos últimos dois anos. Tornam assim o legislativo municipal uma entidade superior e alheia à situação das demais classes dos trabalhadores municipais. Sem qualquer avaliação de oportunidade.

A Câmara já vinha do desgaste da prisão de seu ex-presidente e da fuga de um de seus vereadores. Passou por outro desgaste ao não aceitar a continuidade de um processo, que poderia ou não, levar ao afastamento destes dois vereadores antes citados, arquivando os pedidos, sem ao menos analisá-los e com uma justificativa jurídica altamente questionável. Simplesmente esquecendo seu papel de representantes da população, que ansiava por uma atitude de moralidade. Outros três vereadores e ex-vereadores já haviam sido presos (Montanha, Pastor Sebastião e o recém-falecido Vadinho) que na oportunidade deram à Casa Amarela um imenso desgaste. 

Mas, pelo visto, para nada serviram os eventos contrários ao bom nome da instituição. A falta de sensibilidade e a soberba se sobrepuseram. O "aqui mandamos nós e fazemos o que queremos" venceu. 

Esquecem que tiro no pé nunca é bom. Esquecem que nas redes sociais o assunto foi o mais comentado esta semana com milhares de comentários desairosos. Esquecem que as cobranças virão nas urnas em 2020. Mas infelizmente a cegueira e a falta de sensibilidade é infinitamente superior ao poder de avaliação e ao bom senso.

A casa do povo, a cada dia que passa, se fecha mais e mais ao povo e se volta unicamente aos interesses dos seus membros se mostrando totalmente alheia à vontade dos eleitores. À população resta revoltar-se e aceitar mais uma vez passivamente estes desmandos. Mas como digo sempre, as coisas estão mudando, a sociedade está evoluindo e depois não se declarem surpreendidos: a complacência tem seus limites.

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