Médico da UPA fazia plantão em Mangaratiba quando deveria estar em Petrópolis

17/10/2017 09:55

O juiz da 4ª Vara Cível de Petrópolis, Jorge Luiz Martins Alves, realiza hoje uma reunião com representantes do Consórcio Saúde Legal com objetivo de esclarecer, entre outros assuntos, a forma como os profissionais de saúde estão sendo escalados para as duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Centro e Cascatinha. O juiz, desde o dia 11 de outubro e durante todo o feriadão, realizou uma fiscalização sobre a escala de plantão das duas UPAs e constatou algumas dificuldades, como um médico, que no momento em que deveria assumir o serviço em Petrópolis, estava ainda em Mangaratiba, entregando o plantão. 

Para o juiz esta é uma situação que não pode acontecer, pois como um médico que vai deixar um plantão em outra cidade, poderá ao mesmo tempo, no mesmo horário assumir o plantão em outro município. De Mangaratiba a Petrópolis são cerca de duas horas, isto sem contar os imprevistos. De acordo com o magistrado, segundo foi apurado, esta situação era de conhecimento da Renacoop, cooperativa responsável pela contratação dos funcionários para as duas UPAs. 

Outra situação encontrada pelo juiz foi a falta de informação sobre alguns médicos que deveriam estar nas UPAs. Um deles a equipe da 4ª Vara tentou localizar, mais ninguém tinha endereço e nem telefone do médico e quando se obteve, descobriu-se que residia na Barra da Tijuca. Diante destas e outras dificuldades encontrados, o juiz Jorge Luiz afirmou que não hesitará em fazer cumprir a legislação no que diz respeito ao cumprimento do horário dos profissionais das UPAs, principalmente os médicos. 

Ele voltou a esclarecer que em momento algum o objetivo seja reprimir ou prender médicos, mas fazer com a legislação sobre o número de médicos nas UPAs seja cumprido e que eles estejam presentes no horário determinado para iniciar o plantão. “Não é possível que um médico chegue uma ou duas horas atrasados e nem que um médico faça um plantão de 36 horas, como encontrei na UPA”, comentou juiz. 

Para o magistrado, um profissional que faz um plantão de 36 anos está colocando em risco o atendimento a população, além de ficar vulnerável. O juiz ressaltou ainda que a maioria dos médicos indicados na escala pela Renacoop não são de Petrópolis e isto também foi motivo de preocupação, pois como são obrigados a se descolar de uma cidade para outra, pode ocorrer imprevistos que impede a chegada nas UPAs. “Para atender esta e outras situações inesperadas, a Renacoop, assim como qualquer empresa precisa ter um plano e isto é gestão e o que vimos nestes dias é um abandono total no que diz respeito a gestão”, comentou o juiz, frisando que seu objetivo é garantir o atendimento a população. 

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