O 31 de Março em Petrópolis

31/03/2016 08:40

O país relembra hoje um acontecimento histórico que marcou o Brasil e toda uma geração. No dia 31 de março de 1964, milhares de soldados caminharam rumo ao Vale do Paraíba. De um lado, a tropa mineira e do outro a carioca. O encontro, que acabou acontecendo na divisa entre Petrópolis e Areal, tinha como objetivo um confronto a fim de derrubar João Goulart, o Jango, presidente do país, do poder. A instabilidade política e insatisfação da sociedade naquele momento,principalmente por causa do saltos índices de inflação, havia desgastado o governo. Além disso, parte da sociedade temia que ele instalasse no Brasil um regime comunista.A movimentação das tropas na época chamou a atenção dos moradores da cidade. Naquele dia, a população teve medo de que houvesse a deflagração de uma guerra, o que não ocorreu.O fato ocupou páginas de jornais e revistas da época. A extinta Manchete, por exemplo,publicou uma matéria com o título “O Dia D – Guerra e Paz no Vale do Paraíba”, dizendo que quando o governador Magalhães Pinto, em Minas, convocou a nação para o movimento revolucionário, as tropas começaram a marchar de São Paulo para o Vale da Paraíba.De acordo com a publicação,tudo fazia prever um verdadeiro massacre se a ordem de fogo fosse dada. Além disso,dizia que todas as tropas em marcha eram de elite, aparelhadas com armas modernas. A notícia informava também que“se tivesse havido resistência, aguerra civil começaria”.Naquele dia enquanto as forças de São Paulo seguiam em direção à Guanabara, já em territórios fluminense, as que vinham de Minas Gerais,comandadas pelo General Murici, também progrediam rumo ao Rio. Segundo a publicação,eram 15 mil homens fortemente armados e que pertenciam às guarnições de Juiz de Fora e São João Del Rei. “A expectativa era um encontro de trágicas consequências entre essas tropas e as paulistas, contra as que tinham partido em defesa do governo João Goulart, comandadas pelo General Cunha Melo”. As tropas reuniam o Regimento Sampaio e o 1º Batalhão de Caçadores de Petrópolis.

Dia foi de muita apreensãopara a população da cidade

O desgaste do governo de Jango foi se acentuando naquele ano, com alguns acontecimentos como o comício que aconteceu no dia 13 de março de 1964, no Rio de Janeiro, no qual o discurso levou ao movimento que desencadeou o golpe. Já no dia 19, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade foi considerada uma resposta dos setores conservadores ao comício. Sem contar o apoio do governo ao “motim dos marinheiros”, entre os dias 25 e 27, que causou descontentamento das Forças Armadas. Todos esses fatores levaram Jango a renunciar o poder.

Após a notícia da renúncia, no dia 2 de abril daquele ano, a Tribuna de Petrópolis destacou a vitória das tropas mineiras. “Depois de uma noite de duras apreensões e um dia não menos apreensivo e de grande expectativa, tornou-se vitorioso o movimento revolucionário encabeçado pelo estado de Minas Gerais, com o Governador Magalhães Pinto, que conseguiu adesões de S. Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Guanabara, Espírito Santo, etc.”

Também houve destaque para a adesão do I Exército: “I Exército Aderiu – o movimento revolucionário iniciado em Minas, foi marcado pelo movimento de tropas ocupando pontos estratégicos, postos de gasolina, ocupação de Juiz de Fora. Visando conter as tropas sediadas na Manchester Mineira, deslocou-se para lá o 1º Batalhão de Caçadores por ordem do comando do 1º Exército que em seguida ordenou a ida para lá do Regimento Sampaio”, informava.

Já no dia 3 de abril, o jornal publicou uma notícia com o título “O fim”, que dizia que após o golpe, o ex-presidente João Goulart havia chegado a Porto Alegre, onde permaneceu até tomar o avião para o Uruguai, onde foi feito um pedido de asilo político. 

Em um primeiro momento o poder ficou com o Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzili. Em seguida houve uma eleição indireta, na qual o Congresso Nacional elegeu Humberto de Alencar Castelo Branco como primeiro General Presidente. 

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