PM apreendeu 41 quilos de cocaína em 2016

04/12/2016 08:40

Faltam quatro semanas para o ano terminar e a Polícia Militar já deu uma prévia de como foi 2016 no mundo do combate ao crime. Até hoje o 26º Batalhão do Quitandinha já apreendeu mais de 41 quilos de cocaína, cerca de 5 kg a mais do que no mesmo período do ano passado. Por outro lado, o número de apreensões de maconha caiu de 41,5 kg para 30,45 kg. Os resultados mostram uma preferência dos traficantes pela venda da cocaína, que tem crescido em todo o país. 

Com relação às prisões pelos crimes diversos, o número de presos subiu em 12%, de 489 para 547. Já a participação dos menores na criminalidade cresceu significativamente. De janeiro a novembro deste ano 121 menores foram apreendidos pela PM de Petrópolis. Um número 47% maior do que no ano passado, quando neste mesmo período 82 foram detidos. 

O comandante da corporação, tenente-coronel Eduardo Vaz Castelano, explicou o que tem acontecido no mundo do crime. “A quantidade de menores é cada vez maior, e eles estão cada vez mais novos. Você tem relatos hoje em dia de crianças, pequenas, sendo ensinadas a transportar drogas em troca de dinheiro. São crimes praticados por adultos, muitas vezes pelos próprios responsáveis, que veem nesses menores uma oportunidade de lucro. Essa participação é maior principalmente no tráfico de drogas”, contou.

O número de roubos também cresceu significativamente. No entanto, a quantidade de armas apreendidas caiu do ano passado pra cá. Em 2015, de janeiro a novembro foram 74 apreensões de armas de fogo, enquanto neste ano apenas 45. Para o comandante, isso significa uma mudança de comportamento de alguns criminosos, na prática do delito. 

“O criminoso tem estudado as brechas que a lei lhes dá. E com isso tem passado a utilizar mais o simulacro, que nada mais é do que a arma de brinquedo, na hora de cometer o roubo, o assalto. Nós não fizemos uma conta ainda, mas já dá pra perceber que aumentou muito o número de apreensões desses simulacros. Subiu tanto que o Instituto de Segurança Pública já está começando a registrar essas apreensões para calcular futuramente. Porque têm-se percebido inúmeros casos de crimes cometidos com esses “brinquedos”, ou até mesmo com facas, que são armas brancas”, detalhou Castelano, explicando que, em todo o Estado do Rio de Janeiro 24 armas são apreendidas por dia, enquanto em Petrópolis foram apenas 45 em 11 meses. “Isso significa que tem menos armas de fogo circulando, e mais simulacros. Ou seja, o bandido deixa a arma de verdade para o último caso, para uma emergência, quando outro tenta lhe tomar uma boca de fumo, ou quando a Polícia o ameaça de alguma forma”, concluiu. 

Proximidade com o Rio é um problema –  Com um baixo número de homicídios, Petrópolis é considerada uma cidade tranquila, quando comparada com outros municípios da baixada fluminense e da região metropolitana do Estado. No entanto, a Polícia tem trabalhado firme para que essa calmaria não acabe, e para que a cidade não se torne violenta, de fato. “Temos registros de criminalidade sim, como em qualquer outro município do Brasil. As pessoas ficam preocupadas, assustadas, mas se começarmos a olhar para outras cidades, vamos ver que estamos num patamar muito diferente. A quantidade de roubos que temos aqui por mês, é menor do que os registros diários de cidades da baixada. São dados assustadores. Mas claro, isso não significa que podemos nos dar o privilégio de relaxar. A vida da Polícia Militar é um trabalho constante, que deve ser feito ininterruptamente”, contou Castelano, explicando que a instituição tem fechado o cerco, dando prioridade para combater a entrada de criminosos e de drogas na cidade. “Desde os primeiros dias de comando eu percebi que deveríamos ter uma preocupação com a proximidade que a cidade tem com Duque de Caxias e Magé. Tanto a Serra Velha da Estrela quanto a BR-040 são rotas responsáveis pela chegada do tráfico e dos delitos aqui em cima. Por isso nós temos buscado fazer trabalhos de fechamento, de isolamento da cidade, para que não subam marginais, como eles têm tentado fazer”. 

Cidade atrai traficantes –  Recentemente, a PM tem percebido que a grande maioria dos criminosos presos em flagrante na cidade, seja por tráfico ou por assaltos, são residentes da região da Baixada Fluminense. “São pessoas que vêm de lá pra roubar e praticar seus crimes aqui. Quem consegue passar por essa barreira que a Polícia monta frequentemente acaba se instalando aqui, e vendo uma possibilidade de lucro. Uma cápsula de cocaína comprada a R$ 5 no Rio é vendida aqui por R$ 20, e daí em diante. O problema é que isso começa a despertar o interesse e a fúria de outros traficantes de lá, porque seus concorrentes estão lucrando muito”, pontuou. 

Nos últimos meses várias pessoas foram presas praticando assaltos em Petrópolis, entre elas uma quadrilha de Manguinhos, no Rio, que foi presa roubando as Lojas Americanas, no Centro da cidade, e também um homem do Engenho de Dentro, que praticou uma série de assaltos a farmácias e outros estabelecimentos de Petrópolis. “Não existe crime perfeito. Nós vamos até o fim, continuar trabalhando muito, cada vez mais, atrás desses marginais”, citou o comandante.

Polícia fecha parceria com a população – O fato de Petrópolis estar próxima do Rio e ser alvo de criminosos desperta a preocupação não só das autoridades como também da população local. Quem mora nas áreas onde começa a haver venda de drogas acaba percebendo a movimentação e denunciando os crimes. “A cidade é histórica e tem características de lugar pequeno. Apesar da grande população de 300 mil habitantes, nós temos bairros onde todos se conhecem, e isso acaba ajudando muito, porque quando o cidadão vê uma pessoa estranha no bairro, numa atitude suspeita, ele logo aciona a Polícia, e nós, caso verificamos que a denúncia seja verdadeira, vamos lá e conseguimos solucionar o problema”, explicou o comandante. No entanto, conforme contou Castelano, em alguns casos há resistência por parte dos criminosos. “O criminoso quando vem do Rio pra cá, ele investe, e não quer perder sua carga de droga. Por isso quando a PM chega no local eles acabam tentando resistir. Foi assim no Neylor, no Floresta, no Atílio Marotti e no Independência. Em alguns desses casos nós acabamos baleando criminosos, que sem medo, abriram fogo na gente”, relatou.


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