Protetores reprovam criação de abrigo para animais agressivos em Petrópolis

19/10/2023 08:36
Por Helen Salgado

A Prefeitura de Petrópolis divulgou, no último sábado (14), que abrirá licitação no dia 30 de outubro, para a contratação de uma empresa especializada em abrigar temporariamente animais agressivos. O processo licitatório custará aos cofres públicos R$ 1,4 milhão, e será válido pelo período de 12 meses. No entanto, os protetores de animais da cidade defendem outros tipos de ações em prol dos animais.

Para Carlos Eduardo Pereira, presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (Comupa) e do GAPA Itaipava, a criação do abrigo temporário não é uma prioridade para Petrópolis no momento.

“A cidade precisa de um programa regular e constante de castração, diferente do que tem sido feito. As ações são realizadas apenas de três em três meses, e dependem da contratação de castramóveis e equipes de fora da cidade. Petrópolis precisa de um controle de microchipagem para que você possa identificar os tutores dos animais, isso é muito importante. Também precisa de um controle muito firme na reprodução e venda de filhotes”, afirma.

Em certa ocasião, Carlos Eduardo lembra que questionou uma representante da Prefeitura, para saber se havia algum número estimado de animais agressivos existentes em Petrópolis. Ele conta que não teve uma resposta.

“Se não tem uma estimativa, como você vai quantificar o número de boxes para receber esses animais? Feito esse recebimento, como você vai filtrar esse recolhimento? Quais são esses animais ferozes? São indicados pela população?”, questiona Carlos Eduardo.

“O que Petrópolis precisa não é de um abrigo que vai acabar virando um depósito de animais doentes. Se a prefeitura não consegue manter a castração, como vai manter um abrigo?”, questiona Andrea Santos, do projeto Proteção Cão Amor.

Protetora de animais há décadas, Andrea sugere ainda outros tipos de ações que seriam úteis para os animais, além da castração. Ela sugere projetos de educação e atendimento gratuito para os animais nas comunidades, a fim de evitar o abandono.

“O número de animais abandonados só aumenta. Não existe fiscalização e nenhuma ajuda para os protetores e ONGs. Nenhum abrigo deu certo”, afirma a protetora.

Moradores do Manga Larga fazem abaixo-assinado

A Associação de Moradores do Manga Larga (AMAM) e arredores, criou um abaixo-assinado contra a criação do abrigo para animais agressivos, que será instalado no bairro.

Os moradores expressam preocupação com a casa de repouso, que abriga cerca de 100 idosos na região, com o ruído e perturbação, saúde pública, desvalorização dos imóveis, segurança e com a Bacia Hidrográfica do Rio Manga Larga, que abastece toda a localidade. Segundo a Associação de Moradores, o abrigo de grande porte pode utilizar excessivamente a água, deixando os moradores sem, além do despejo dos dejetos que serão oriundos do canil.

Os moradores sugerem que o município busque uma localização mais afastada de áreas residenciais, onde os impactos negativos sejam minimizados.

Sobre o abrigo

De acordo com o município, o local será um centro de reabilitação para cães e gatos recolhidos pela Coordenadoria de Bem-Estar Animal da Prefeitura (Cobea) e que representem risco para si e para a sociedade.

Segundo o coordenador da Cobea, Cláudio Avelar, o espaço abrigará animais agressivos que fugiram ou foram abandonados, e que poderiam atacar as pessoas. A ideia, de acordo com ele, é que esses animais fiquem temporariamente nesse centro de reabilitação, para depois serem encaminhados para adoção.

Procuramos a Prefeitura de Petrópolis para uma resposta sobre a possibilidade de reavaliação da criação do abrigo no Manga Larga, e o número de animais agressivos na cidade. Até o fechamento da matéria, não tivemos retorno.

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