Um novo olhar sobre a educação após a pandemia

25/06/2020 00:01

O ano de 2020 certamente é um marco na História. Nossa reflexão, no entanto, é o quanto de mudanças serão extraídas desse período. Após grandes períodos de crise é comum que a sociedade se reinvente, crie maneiras novas de lidar com o dinheiro, com a economia, mas e com a educação? A tecnologia arrastou milhares de educadores e alunos para as telas de computadores e smartphones, mas afinal, o conceito de educação, será o mesmo após a pandemia? Estávamos acostumados a um sistema que se repetia a centenas de anos, e não digo isso no sentido prático, das carteiras enfileiradas com o professor na frente da turma, levo a discussão mais adiante, digo isso pelo próprio sistema de aprovação e reprovação, avanço e retrocesso; para que estamos ali? Para que afinal serve a educação na vida de crianças e adolescentes? 

O conhecimento é um mundo incrível de descobertas, começando pela descoberta pessoal. Quando Paulo Freire diz: “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”, ele está afirmando que a vida é a nossa fonte de riqueza; todos temos algo a ensinar como algo a aprender. Essa concepção de educação quando compreendida iguala os seres humanos e derruba a famosa frase repetida por gerações “estudar para ser alguém”, afinal, todos já somos!

 Os métodos de estudo desenvolvidos durante a pandemia com o uso da tecnologia, livros, pode abrir um mundo de possibilidades, no entanto, precisamos compreender o que é informação e o que é educação. Recordo-me de um dos meus filmes favoritos “Sociedade dos Poetas Mortos”, em que o professor, Sr. Keating, interpretado por Robin Williams pede aos alunos que rasgue algumas páginas do livro, em uma clara mensagem de que nem sempre o conhecimento está apenas em leituras ou no que se pode decorar e lembrar. A escola não é um aglomerado de informações, muito pelo contrário, seu papel na sociedade se estende a sociabilidade, contato, ajuda mútua, pensamento crítico, criatividade, e muito mais. Assim como a educação também não se limita a escola ou a diversos diplomas, a educação vai muito além de quatro paredes ou do que necessariamente se pode pendurar em uma parede.

A educação é um mundo de possibilidades e talvez seja o momento ideal de rever conceitos tão necessários, questionar se é mesmo tão mais importante colocar a frente de todo conhecimento uma educação por vezes repressiva, por vezes retrograda. Reavaliar os discursos antigos e permitir que a educação tenha seu papel de destaque no mundo, que definitivamente não se limita a diplomas ou a preparar pessoas para o mercado de trabalho.

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