Unicef: mortes de adolescentes com Aids dobraram nos últimos 16 anos

01/08/2016 12:30

A Aids é o estágio mais avançado da doença que ataca o sistema imunológico. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, como também é chamada, é causada pelo HIV. Como esse vírus ataca as células de defesa do nosso corpo, o organismo fica mais vulnerável a diversas doenças, de um simples resfriado a infecções mais graves como tuberculose ou câncer. Há alguns anos, receber o diagnóstico de Aids era uma sentença de morte. Mas, hoje em dia, é possível ser soropositivo e viver com qualidade de vida. Basta tomar os medicamentos indicados e seguir corretamente as recomendações médicas. Apesar disso, segundo um relatório divulgado pela Unicef, desde o ano 2000, as mortes relacionadas à Aids mais do que duplicaram entre adolescentes de todo o mundo. Em Petrópolis, a luta do Programa DST / AIDS – Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids é para alertar os jovens portadores da doença sobre a importância de tomar a medicação corretamente.

Os números da Unicef foram apresentados durante a 21ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada no dia 18 de julho, em Durban, na África do Sul. O estudo revela ainda que a doença segue como a segunda causa de morte entre jovens na faixa etária de 10 a 19 anos. A estimativa é que, no mundo inteiro, a cada hora, 29 pessoas de 15 a 19 anos sejam infectadas pelo HIV. 

O Programa DST/AIDS atende atualmente 26 jovens nessa faixa etária que passaram pela contaminação vertical, ou seja, a Aids foi transmitida de mãe para filho. Eles são acompanhados desde o nascimento e a problemática, nesse caso, é que alguns desses jovens não tomam a medicação corretamente.

"Temos uma preocupação muito grande com esses jovens. Alguns deles não estão conseguindo fazer o tratamento por causa de problemas típicos da adolescência. Tentamos de todas as formas mostrar para eles a importância de tomar os remédios todos os dias. Sem os medicamentos eles podem ficar doentes e com a imunidade baixa, podem morrer. Isso é muito sério", disse Maria Inês Ferreira, coordenadora do Programa DST/AIDS – Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids.

Para chamar a atenção desses jovens, a Secretaria de Saúde pretende realizar um encontro com palestras em setembro. "Nós já participamos de alguns grupos que promovem esses encontros, inclusive entre jovens não portadores que convivem diariamente com pessoas portadoras justamente com a intenção de conscientização. Mas, muitos jovens têm medo e vergonha de participar, por isso, estamos programando um encontro menor com essas pessoas em setembro para alertarmos sobre a importância da prevenção e o uso correto dos medicamentos".

Ainda de acordo com o relatório da Unicef, meninas são mais vulneráveis à epidemia de Aids, representando cerca de 65% das novas infecções em adolescentes no mundo. Na África Subsaariana, região onde estão aproximadamente 70% das pessoas que vivem com HIV no planeta, três em cada quatro adolescentes infectados em 2015 eram meninas.

O medo de passar pelo exame, segundo o Unicef, faz com que muitos jovens não tenham conhecimento de sua situação – apenas 13% das meninas e 9% dos rapazes foram testados no último ano. Pesquisa conduzida pelo próprio fundo das Nações Unidas em 16 países constatou que 68% dos 52 mil jovens entrevistados não querem fazer o exame por medo de um resultado positivo e por preocupação com estigma social.


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