VERDADES E MENTIRAS SOBRE AS ZOONOSES TRANSMITIDAS POR GATOS

25/11/2015 12:00

Uma companhia silenciosa e discreta. Assim é a convivência com gatos. Informações recentes apontam que ter um felino em casa pode evitar várias doenças. De acordo com o estudo da Universidade de Minessota, o convívio com gatos reduz níveis de colesterol e riscos de doenças cardiovalsculares. Outras pesquisas também associam a presença do bichano a benefícios para o estresse, depressão, autismo, derrame cerebral e desenvolvimento imunológico. Entretanto, há muitos questionamentos populares sobre a criação de gatos e a relação com patologias.

É fato que a ausência de castração, o hábito andarilho dos bichanos e/ou o contato humano direto com fezes contaminadas podem favorecer o desenvolvimento e a transmissão de algumas zoonoses, como toxoplasmose, esporotricose e dermatofitose (micoses superficiais em pelos, peles e unhas), e ancilostomíase (verminose que causa anemia). Em todas as doenças, o animal precisa estar doente para haver o contágio para outros animais ou humanos.

A esporotricose ocorre quando um fungo subcutâneo é transmitido aos seres humanos pela arranhadura ou mordedura de gatos doentes, o que propicia o aparecimento de feridas e nódulos pelo corpo. É fundamental que o dono sempre avalie a pele e o pelo do bichinho para, ao sinal de qualquer suspeita, levá-lo ao médico veterinário, a fim de que seja realizada biopsia e outros exames para o devido diagnóstico. Quanto mais cedo for a ação, mais fácil, barato e rápido é o tratamento.

De acordo com a médica veterinária Priscila Mesiano, membro da International Society of Feline Medicine e da American Association of Feline Practioners, que atende na Clínica Amigo Bicho, é possível evitar a doença por meio da castração. “A esterilização diminui o instinto do animal em circular pelas redondezas e entrar em atrito com outros gatos, mantendo-o mais junto aos donos. Sendo que é importante lembrar também que animais com acesso à rua ou quintais, principalmente com lixo ou excesso de matéria orgânica em decomposição, estão mais propensos”, ressalta.

Ainda falando sobre lesões na pele, a dermatofitose pode ser transmitida por contato direto ou indireto, pois os fungos podem sobreviver em cobertores e almofadas, por exemplo. O tratamento é simples após o diagnóstico no animal, por meio de tosas, shampoos, loções, antifúngicos, descarte dos pertences do peludo e higiene da casa com aspirador de pó. Eletrodoméstico que é amigo número um na vida dos tutores de animais.

A ancilostomíase e a toxoplasmose são disseminadas por intermédio de contato com as fezes infectadas, sendo que a primeira também pode ser propagada pela terra ou areia contaminada e é facilmente evitada quando o animal é vermifugado regularmente.

Nessa relação gato X homem, a toxoplasmose pode ser considerada a doença que mais causa preconceito, já que de acordo com o senso comum, grávidas devem se desfazer dos seus gatos para evitar consequências na saúde do bebê. “As estimativas apontam que apenas 1% dos felinos transmitem a toxoplasmose e para o contágio, a grávida precisa ter contato com as fezes do animal doente na fase de eliminação dos cistos do protozoário. Este período dura em média três semanas ao longo da evolução da doença no gato. Além disso, este material fecal manipulado precisa ser ingerido para que haja a contaminação. Caso contrário, o ciclo não se completa”, detalha Priscila.

A forma mais comum dos seres humanos contraírem a doença é comendo carne crua ou mal passada, legumes, frutas e verduras mal lavadas. Ou seja, o gato não é o vilão, grávidas não precisam se desfazer dos bichanos e  hábitos de higiene adequados são suficientes para evitar a contaminação.  Especialistas recomendam que por precaução, grávidas não façam a limpeza de caixas sanitárias, nem pratiquem jardinagem, uma vez que os felinos têm o hábito de enterrar as próprias fezes.

No aconchego da convivência, muitos tutores também acabam compartilhando camas e sofás com os peludos, o que pode ser alvo de muitas críticas. “Se o gatinho estiver saudável, com vacinas e vermifugação em dia, não vejo problemas em dormir na cama com seus proprietários”, finaliza a veterinária

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